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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Paulo de Tarso

Paulo de Tarso é considerado o mais importante discípulo de Jesus, depois do Mestre, a figura mais marcante do Cristianismo. Era um fariseu culto. Paulo perseguiu os cristãos, com argumento da defesa da "tradição dos país". Foi a Damasco acabar com a agitação de um grupo de seguidores de Jesus. No Caminho viu uma luz no céu que o cercou, e uma voz lhe disse: "Saulo, Saulo, por que me persegues?. Paulo muda de lado e de nome. Julgado por Nero. Levado pelos guardas para fora da cidade e degolado. Uma lenda que no momento de sua execução, uma cega lhe ofereceu um véu, Paulo teria devolvido, e ela o colocou sobre os seus olhos e recobrou a visão. A festa de São Paulo é celebrada em 29 de junho, junto com a de São Pedro. Foi uma forma encontrada pela Igreja para homenagear, de uma só vez, os dois líderes máximos do cristianismo. I Coríntios é considerada a epístola mais poéticas. Nela é encontrada a famosa passagem sobre o amor genuino.

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.

A Tragetória do Mestre

Fontes
Os Evangelhos – Tudo que sabemos da vida de Jesus vem de narrativas dos "evangelhos". Seus autores não tinham a preocupação de documentar rigorosamente os acontecimentos, misturavam história, lendas e doutrinas, influenciados por antigas tradições judaicas, mitologias pagãs e correntes esotéricas. Há vários evangelhos, mas apenas quatro são aceitos pelas igrejas cristãs, os "canônicos", atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João. Os demais foram considerados "apócrifos". Porém alguns vêm despertando interesse, o de Tomé. O evangelho mais antigo, o de Marcos, acredita-se ter sido redigido antes da destruição de Jerusalém, pois não há qualquer alusão a esse acontecimento.

A época
Jesus nasceu no território que corresponde hoje a Israel e Palestina, sob domínio romano. Antes disso por babilônios, persas e gregos. Herodes impôs seu reinado sobre o território que se estendia da Síria ao Egito. Foi chamado "o Grande" graças a um fabuloso programa de obras urbanísticas e arquitetônicas.
O governo de Herodes - Jerusalém e muitas outras cidades foram reurbanizadas à moda romana, cortadas de ponta a ponta por grandes avenidas, subdivididas por ruas formando ângulos retos e embelezadas com palácios, anfiteatros, jardins, destacando o suntuoso Templo de Jerusalém, o rei esperava conquistar a simpatia dos judeus, que o odiavam. O preço dessas edificações foi a extorsão do povo. Amedrontado pela idéia de perder o poder, Herodes cometeu todo tipo de crime. Com a sua morte no ano 4 a.C., o reino foi dividido entre seus 3 filhos Arquelau, Filipe e Herodes Antipas. Jesus nasceu no reinado de Herodes, viveu em territórios governados por seus filhos e morreu sob o poder do romano Pôncio Pilatos, procurador da Judéia entre 26 e 36 d.C. Um período conturbado na história do povo judeu, a cobrança de impostos, a opressão política e a influência estrangeira em assuntos religiosos. Na década de 60 d.C., 30 anos depois da morte de Jesus, o país explodiu em levantes contra o domínio romano, culminando em 70 d.C., a destruição de Jerusalém pelo exército de Tito.

A data
O nascimento de Jesus assinala o início da era cristã, porém houve um erro de cálculo cometido por Dionísio. Sabe-se hoje que Jesus nasceu antes do ano 1 (entre 8 e 6 a.C.), graças a uma narrativa de Lucas. O fato aconteceu na época do recenseamento de Roma. Esse censo realizado na Palestina, tinha por objetivo regularizar a cobrança de impostos. Os historiadores situam este período de 8 e 6 a.C.. O mais provável é 7 a.C, pois se deu um evento astronômico, como explica a narrativa de Mateu, ao mencionar a "estrela". Uma conjunção de Júpiter e Saturno que produziu no céu um ponto de brilho excepcional, que impressionou os astrônomos da época. Seriam os "magos do Oriente", de Mateus.
O festival pagão X a festa de Natal - 25 de dezembro é uma data simbólica, nesse dia ocorria em Roma o festival Solis Invictus (quando o percurso do Sol ocupa sua posição mais baixa no céu, voltando a ascender). Os cristãos associavam o sol a Jesus, transformar o festival do sol em Natal, foi um pulo.
A ascendência do Messias – Mateus e Lucas afirmam que Jesus nasceu em Belém. Belém era a cidade de Davi e, segundo a tradição, o Messias deveria surgir da descendência desse rei de Israel. Lucas oferece um bom argumento a favor de Belém: José, esposo de Maria, futura mãe de Jesus, pertencia a uma família originária de Belém e, a regra do senso exigia que o indivíduo se alistasse em sua cidade de origem.
O lugar onde Jesus nasceu - De passagem pela cidade, José e Maria procuraram onde se alojar. Lucas "não havia um lugar para eles na sala". Estando o local cheio, muitas pessoas para o senso, o casal se acomodou do lado de fora, talvez sob um alpendre, junto à manjedoura. Foi aí que Maria deu à luz.

A infância e a juventude
As primeiras letras – O analfabetismo era raro. Ao completar 13 anos, os meninos compareciam a sinagoga para ler o Torá. Jesus teve acesso a essa educação básica. Lucas narra, “o menino Jesus debate com os doutores do Templo”. João narra, "Como pode ser ele versado nas Escrituras, sem as ter estudado". Conforme narrativas evangélicas e conhecimento da sociedade judaica da época indicam que nem sua família era pobre nem sua instrução parou no nível elementar.
Jesus um rabino – “Rabino" como era chamado por seguidores em várias narrativas. Para se obter educação superior, era preciso participar dos círculos de rabinos ilustres. Paulo (que inicialmente perseguiu os seguidores de Jesus e depois se tornou o principal propagandista do cristianismo) recebeu esse tipo de instrução junto ao rabino Gamaliel, um dos maiores mestres da época. É possível que Jesus tivesse essa instrução, os evangelhos não fornecem nenhuma informação. Marcos e João narram um Jesus adulto. Mateus e Lucas traçam um breve retrato da infância e, daí, pulam para a idade adulta. Alguns apócrifos apresentam cenas infantis, narradas de forma fantasiosa. O resultado é uma lacuna de cerca de 20 anos na "biografia".
O jovem trabalhador – Marcos afirma que Jesus seguia o ofício de José “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria”.

A língua
O idioma era o aramaico. Na sua época, o povo já não falava mais o hebraico, usado apenas nos ritos religiosos. O grego e o inglês. E o latim, o idioma do Império.

A aparência de Jesus
Os evangelhos nada dizem sobre a aparência de Jesus. E as primeiras imagens produzidas sob influência da arte romana, o mostravam como um jovem de cabelos frisados. No Egito, apresentaram Jesus de barba, longos cabelos repartidos ao meio.
O Santo Sudário – Tecido de linho, que, teria sido o lençol mortuário de Jesus. Usando uma técnica de superposição de imagens, foram obtidos 170 pontos de coerência com a face egípcia. 79 kg , 1,80 m, homem musculoso, com barba e cabelos longos, trançados abaixo do pescoço.

Jesus esotérico
Alguns evangelhos apócrifos atribuem a Jesus ensinamentos esotéricos. Estudiosos chegam a afirmar que muitas de suas narrativas são mais confiáveis do que as dos evangélicos canônicos. Ele foi portador de um conhecimento oculto que vem sendo comunicado à humanidade há muito tempo. Algumas passagens da vida de Jesus à luz do esoterismo. É arriscada uma afirmação taxativa. Mas, apenas como reflexão, é interessante.
Batismo - Após um período de 20 anos, do qual nada se sabe, ele iniciou sua atuação pública. Essa fase da vida foi precedida por um ritual adotado por várias tradições místicas. Batismo, prática utilizada pelos essênios, mas não só por eles, de maneira simbólica, submerso na água, "morre" para sua antiga existência e emergindo dela, "renasce" para uma vida nova.
Tentação - A prova de fogo do deserto. Jesus viveu outra experiência mística, jejuando 40 dias no deserto da Judéia. Sua função com o isolamento e privação, na qual ele seja levado a confrontar o lado sombrio de si mesmo. Mateus narra, que o Diabo assedia Jesus com três tentações: quebrar o jejum, transformar pedra em pão; atirar-se do alto do Templo para que os anjos o amparassem; adorar o Diabo, em troca do reinado sobre a Terra. Desviar Jesus da sua missão, levando a direcionar seus poderes para metas egoístas. Ele as rejeitou.
Círculo hermético - Suas ações e palavras atraíram grande número de pessoas. Três tipos de público: a grande massa (sinagogas e espaços coletivos), os discípulos (mantinha em freqüente contato), e o grupo mais restrito dos "doze". João informa que dois dos "doze" haviam sido discípulos de João Batista. Um exemplo de ensinamento destinado à multidão é o "Sermão da Montanha". Sentenças densas, encontradas em Tomé, e nos canônicos.
Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus - Essa inscrição foi afixada à cruz. Costuma ser interpretada como resumo da acusação feita a Jesus. Porém, à luz das especulações esotéricas, pode ter outro significado. "Nazareno" = habitante da cidade de Nazaré, "nazir" ou "nazireu" = indivíduo inteiramente consagrado a Deus, que, entre outras obrigações rituais, devia se abster de cortar os cabelos. Sansão, personagem do Antigo Testamento, era "nazir" e teria perdido temporariamente os poderes quando seus cabelos foram cortados.

Os partidos e as seitas na Galiléia
Jesus era judeu, e contracenou com os diversos grupos político-religiosos de Israel. Em vários momentos de sua atuação, ele divergiu desses partidos e seitas. Suas palavras não eram nada suaves, "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão".
Saduceus - Partido dos proprietários de terras, anciãos e, membros da elite sacerdotal. Representavam o poder, a nobreza e a riqueza. Controlava o Sinédrio, senado de Israel e, o Templo de Jerusalém. Negavam a imortalidade da alma, rejeitavam o Talmud e aceitavam o que estava escrito na Tora, cuja redação era atribuída a Moisés.
Escribas - Não estavam ligados a um segmento social específico, nem seita ou partido, porém desfrutavam de autoridade. Homens de grande sabedoria e influenciavam as decisões do Sinédrio. Reverenciavam a Torá, mas não se prendiam a uma leitura literal, reconhecendo nele uma dimensão esotérica.
Fariseus - Movimento com ramificações em todas as camadas sociais. Muito religiosos e formais, cumprindo minuciosamente as regras de pureza prescritas na Torá, em especial o Levítico. Ativos nas sinagogas e, censurados por Jesus, por se apegarem aos detalhes epidérmicos da Torá, enquanto negligenciavam seu conteúdo profundo. Jesus os chamou de "condutores cegos, que coais o mosquito e tragais o camelo!" Acreditavam na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo. Eram nacionalistas, e aguardavam a vinda do Messias, que deveria libertar Israel da dominação romana.
Zelotas – Fariseus radicais pretendiam expulsar pelas armas os dominadores pagãos. Cometiam atentados contra o Império. Por isso, eram cruelmente perseguidos pelos romanos. Sua doutrina era um misto de religiosidade extremada e ultranacionalismo político. Entre os 12 discípulos, havia dois zelotas: Simão, o Zelota e Judas Iscariotes. Os zelotas depositaram esperanças na liderança política de Jesus. Mas, a amplitude e a profundidade da mensagem do mestre se chocaram com o caráter restrito, superficial e imediatista dos revolucionários zelotas. Isso talvez explique a traição de Judas.
Essênios - Puritanos que viviam em comunidades ultrafechadas. Acreditavam que eram os puros de Israel. Levavam uma vida extremamente rígida. Praticavam o celibato ou se casavam somente para perpetuar a espécie. Combatiam tanto os romanos quanto o poder concentrado no Templo, opondo-se ao sacrifício de animais. E aguardavam a vinda do Messias, que deveria liderar uma guerra santa para eliminar os pecadores e instaurar o reino dos justos. Cultivavam uma doutrina gnóstica. Praticavam o ritual do batismo. Apegados aos preceitos de pureza e ao seu próprio orgulho, os essênios se afastavam de um mundo supostamente corrompido para não se contaminarem. Jesus, ao contrário, transgredia regras e, mergulhava no mundo para transformá-lo.

O povo
Esperavam um guerreiro que os libertasse dos opressores. Jesus pregava o amor e o Reino de Deus na terra. Jesus foi identificado como o Messias por seus seguidores e na condição de Messias, ele foi recebido em Jerusalém, no início de sua última semana de vida. Mas os acontecimentos frustraram essa expectativa guerreira, nacionalista e monárquica. A frustração popular foi explorada pelos inimigos de Jesus, que o condenaram à morte. A prática de Jesus contestava as estruturas da sociedade e da religião da época. Ele não se apresenta como um reformista à maneira dos essênios, nem como observante da tradição como os fariseus, mas como um libertador profético. Jesus não se organizou para a tomada do poder político. Pois sempre considerou o poder político como tentação diabólica, porque implicava uma regionalização do Reino, que é universal.
A revolução de Cristo - Bastava libertar o país da dominação estrangeira, restabelecer a legitimidade política e tudo estaria resolvido. A revolução proposta por Jesus era um processo de longo prazo e profundo. Sua meta era realizar o "Reino de Deus" na Terra. João narra, Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

A ação libertadora
Jesus golpeou o coração do poder, o Templo de Jerusalém.
A cobrança pelos sacrifícios – O clero assumiu o controle da vida nacional. A base econômica de seu poder eram os sacrifícios diários de animais e a cobrança de impostos realizados no Templo. Os animais a serem sacrificados passavam por um controle de qualidade, baseado nas regras de pureza estabelecidas no Levítico. Essa "peneira fina" barrava os animais trazidos pelos fiéis, que, em seu lugar, deviam comprar outros, vendidos nos pátios do Templo. “Por acaso” esses animais aptos eram criados pelas famílias sacerdotais. Os preços de acordo com a demanda. E disparavam na época das festas religiosas.
O comércio religioso - Os sacerdotes lucravam com a venda dos animais. Tiravam proveito da conversão do dinheiro utilizado no pagamento, as moedas correntes não podiam entrar no Templo, dinheiro "impuro", eram trocadas com ágio, “câmbio negro”. Ainda tinha o dízimo, todo judeu do sexo masculino, com mais de 20 anos, era obrigado a pagar. Não admira que os essênios, abominassem o sistema estruturado em torno do Templo. Quando Jesus virou as mesas dos cambistas e expulsou os vendedores de animais do Templo, ele “bateu de frente” com Sinédrio.

A condenação
O Sinédrio - Controlado pelas duas famílias sacerdotais mais poderosas de Israel, as de Anás e Caifás. Se reuniam nas dependências do Templo, na Sala da Pedra Talhada. A ele cabiam todas as decisões de natureza legal ou ritual. E sua autoridade se estendia às populações judaicas que viviam fora da Palestina. Era composto por 70 membros e presidido pelo sumo sacerdote. Foi essa instituição, de certo modo semelhante ao senado romano, que condenou Jesus.
A ameaça-Jesus - Sua existência remontava ao século 2 a.C. e encerrou-se em 66 d.C.. Também não eram bem vistos pela população, pelo fato da colaboração com os romanos. Seus chefes se sentiram ameaçados com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Eram ardilosos, aproveitaram o desapontamento popular causado pela recusa de Jesus em assumir o papel de líder messiânico. Traído por Judas e preso pelos soldados de Caifás, o mestre foi levado a uma masmorra e cruelmente espancado.
Pôncio Pilatos – Mateus narra, o Sinédrio condenou Jesus à morte sob a acusação de "blasfêmia", mas eles não tinham autoridade para executar o condenado. Por isso Caifás encaminhou Jesus a Pôncio Pilatos. Para a mentalidade pragmática de um procurador romano, a acusação, de caráter religioso, não fazia o menor sentido. Daí a hesitação de Pilatos em ratificar a sentença. Numa época de fermentação política, os romanos crucificavam milhares, na repressão ao levante do ano 4 d.C., dois mil judeus foram crucificados. Ao seu olhar insensível, Jesus era apenas mais um. Por que se indispor com o Sinédrio?

A jornada para o martírio
A cruz - Ela não era alta e imponente, era baixa, acanhada, insignificante. Para acomodar-se nela, a vítima era pregada com os joelhos dobrados. Havia um fenda onde a vítima podia se sentar, para impedir que os pulsos rompessem devido à ação do peso.
Os ferimentos – Jesus carregou a barra horizontal, pesada o suficiente para ter provocado hematomas nas costas. A imagem do Sudário mostra, sinais de 90 a 120 ferimentos causados pelo açoite, 72 perfurações na cabeça, produzidas pela "coroa" de espinhos. Os pregos, uns 18 centímetros, ele não foi fixado pelas mãos e sim pelos pulsos. Nas mãos, estas teriam rasgado com o peso do corpo. Um terceiro prego, juntando os dois pés, completava a fixação.
Morte por asfixia - Na cruz, os braços altos dificultavam a respiração, os líquidos se acumulavam nos pulmões, morte por asfixia. Para tomar fôlego durante a agonia, as vítimas erguiam-se várias vezes de seus assentos, sustentando-se nos três pregos. Por isso, após horas de suplício, suas pernas eram quebradas, de modo a acelerar a morte. A análise do Sudário mostra que esse procedimento não ocorreu no caso do homem cuja imagem ficou gravada no tecido. A estocada de lança, um golpe de misericórdia, perfurou o peito, ele já estava morto.

Presságios e acontecimentos extraordinários
Era comum os crucificados sobreviverem por até três dias. Talvez devido às terríveis torturas que sofreu na casa de Caifás e entre os soldados romanos, Jesus morreu em apenas seis horas. Os evangelhos narram acontecimentos, que teriam pontuado essas horas dramáticas. Mateus narra, "desde a hora sexta até a hora nona", isto é, do meio dia as três da tarde, "houve treva em toda a terra". Quando Jesus exalou o último suspiro, "o véu do Santuário se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas se fenderam". Se as trevas mencionadas corresponderem a um eclipse, a morte de Jesus deve ter ocorrido no ano 30 d.C., quando se deu um evento dessa natureza. Considerando que Jesus nasceu entre os anos 8 e 6 a.C., ele deve ter vivido então de 36 a 38 anos.

A ressurreição
Para os discípulos e outros que acreditaram nele, a morte de Jesus foi um golpe demolidor. Surpresos com a rapidez dos acontecimentos, aturdidos com um desfecho que contrariava suas expectativas, amedrontados com a possível repressão, eles certamente sentiram o chão ceder debaixo dos pés. Que perplexidade, que angústia, que desalento! No entanto, toda essa angustia se refez com a notícia da ressurreição.
O sepulcro vazio - Visto pelas mulheres que foram visitá-lo na manhã do terceiro dia e a aparição aos discípulos. O Mestre em carne e osso. A narrativa é muito sumária em Marcos e Mateus e bem mais extensa e inspiradora em Lucas e João. O texto dos Atos dos Apóstolos, uma obra também atribuída a Lucas, fixa em 40 dias o tempo de permanência de Jesus ressuscitado na Terra. O evangelho gnóstico Pistis Sophia prolonga a estadia para 11 meses e apresenta ensinamentos esotéricos. Os canônicos afirmam que os discípulos não reconheceram Jesus num primeiro momento. E o fazem aparecer e desaparecer de cena misteriosamente. Certas correntes do cristianismo interpretaram esses dados como indícios de que o mestre voltara a Terra num corpo sutil. No entanto, em Lucas, o próprio Jesus insiste na materialidade de seu corpo "Vede minhas mãos e meus pés: Sou eu! Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho".
A ressurreição à luz das religiões orientais - O mistério da ressurreição certamente escapa à capacidade interpretativa da ciência atual. Mas a idéia da transmutação do corpo físico e da conquista da imortalidade não é estranha a antigas tradições espirituais como o shivaísmo indiano e o taoísmo chinês. Embora extremamente rara, essa possibilidade estaria no horizonte de todo ser humano. E teria sido alcançada pelos siddhas (perfeitos).

domingo, 10 de janeiro de 2010

Tentação no Deserto

Jesus foi para o deserto onde ficou em oração. Nestes dias, no recolhimento espiritual, foi tentado por algum espírito ruim, ou forças negativas.

1ª tentação: “Não comeu nada nestes dias e, depois disso, sentiu fome. Então o diabo disse a Jesus: “Se Tu és o Filho de Deus, manda que esta pedra se torne pão.” Jesus respondeu: "Nem só de pão vive o homem." (Mateus 4: 3,4)

Jesus tinha um objetivo e fazia um sacrifício para atingir. Foi uma cilada para Jesus se mostrar orgulhoso e usar seu poder, Jesus entende e coloca a vontade de Deus acima de qualquer desejo. Ele não quiz provar nada para ninguém.

2ª tentação: Jesus está no alto de uma montanha. De lá pode-se ver o horizonte e imaginar toda a extensão de terra que forma os mais diversos reinos. O “demônio” diz: “Eu te darei todo poder e riqueza destes reinos, porque tudo isto foi entregue a mim, e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se ajoelhares diante mim, tudo isto será teu." Jesus respondeu: “Você adorará o Senhor seu Deus e somente a Ele servirá.” (Mateus 4: 6,8)

A proposta do poder. Mas Jesus disse: Não. Ele decidiu o caminho que Deus lhe reservou. Revelar as verdades fundamentais da vida, contribuir para a evolução espiritual do mundo, servir de exemplo positivo de amor e bondade.

3ª tentação: Jesus estava em Jerusalém, na parte mais alta do Templo. O “demônio” Lhe disse: “Se Tu és Filho de Deus, joga-Te daqui para baixo. Por que a escritura diz: “Deus ordenará a teus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado. Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra.” Mas Jesus respondeu: A Escritura diz: “Não tente o Senhor teu Deus.” (Mateus 4: 9,12)

Deus protege aqueles que seguem o caminho correto. Se sucumbisse a tentação estaria colocando Deus à prova. E devemos confiar em Deus. Se Jesus saltasse e saísse vivo, com certeza seria aclamado como alguem poderoso. Jesus sabia que todo poder é ilusão. Jesus conhece a verdadeira fé.

Mateus escreve que depois destas tentações o “demônio” foi embora para voltar em um momento mais oportuno. É provável que Jesus tenha sido tentado outras vezes. Nós também somos, principalmente pelo nosso egoísmo, sede de poder, ambição, vaidades. Possuímos um “demônio” interior que tenta nos distanciar do caminho do bem. Por isto. “orai e vigiai”.

A Transfiguração de Jesus

“Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transformou diante deles: o seu rosto brilhou como o Sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias.” Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa cobriu-os com sua sombra". (Mateus 17:1, 5).

Neste episódio Jesus irradiava energia e mantinha contato com os espíritos de Moisés e Elias, e de alguma forma eles se tornaram visíveis. A passagem de Jesus pela Terra é marcada por fenômenos difíceis de serem entendidos, mas seus ensinamentos são eternos, e que os seres humanos terão que evoluir muito para conseguir entender tudo o que aconteceu nestes 33 anos de vida, vida de exemplos, atitudes e compromisso.

Jesus no monte das Oliveiras

Jesus e os discipulos foram para o monte das Oliveiras, Jesus disse "Rezem para não caírem na tentação." Afastou-se e começou a rezar. "Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua!". Apareceu um anjo que o confortava. Tomando de angústia, Jesus rezava com mais insistência. Seu suor se tornou como gotas de sangue. Foi para junto dos discípulos, e os encontrou dormindo, vencidos pela tristeza. E perguntou "Por que vocês estão dormindo? Levantem e rezem, para não caírem na tentação."

A situação emocional de Jesus nos momentos que antecederam a sua prisão, tortura e crucificação. Jesus sabia do sofrimento que iria enfrentar, entrou em agonia, seu stress teria sido tão grande, a fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, um grande medo, uma angústia terrível, que ele teria chegado a suar sangue.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O Círculo Hermético de Jesus

João Batista iniciou pregações preparando o caminho. Primo de Jesus, seis meses mais velho, filho de Zacarias e Isabel. Tornou-se profeta na Judéia. Pregava no deserto a vinda do Messias e incitava o povo ao arrependimento dos erros e à conversão para uma nova vida, num ritual de mergulho nas águas do rio Jordão, batismo. Foi preso por Herodes Antipas, rei da Galiléia, a quem havia criticado por se casar com a cunhada, Herodíades. O rei mandou decapitá-lo para agradar a filha de Herodíades, Salomé.

Com seus Apóstolos, Ele conversava assuntos reservados. Ao  público ele falava em parábolas. Entre os Apóstolos, destacavam-se Pedro, Tiago e João, que, por possuírem dons especiais, foram os únicos a participarem do episódio da Transfiguração no Monte Tabor. Jesus pediu-lhes segredo sobre esse fato, um fenômeno de materialização dos espíritos Moisés e Elias.

OS APÓSTOLOS
Pedro: Era o líder dos 12 apóstolos. Negou Jesus por três vezes, foi o primeiro papa da Igreja Católica. Dois livros do Novo Testamento (Primeira e Segunda Epístola de São Pedro) são creditados a ele. Segundo a tradição cristã, foi crucificado em Roma. Irmão do Apóstolo André, era um pescador da Galiléia. Seu nome era Simão, mas recebeu de Jesus o sobrenome de Pedro ou Cefas. Apoiou a iniciativa de Paulo de Tarso de incluir os não judeus na fé cristã, sem obrigá-los a participarem dos rituais.

Tiago: Identificado na Bíblia como o irmão de Jesus, é o principal líder da comunidade cristã de Jerusalém. Escreveu uma das cartas do Novo Testamento (Epístola de São Tiago). Segundo os historiadores, foi apedrejado até a morte pelos judeus por volta do ano 62 d.C.

André: Irmão de Pedro e também pescador. Antes de seguir o Mestre, era discípulo de João Batista. As Tradições indicam que ele foi a lugares distantes para pregar o Evangelho, e que tenha morrido em uma cruz em forma de X na Grécia, seu corpo levado para Constantinopla, tornando-se padroeiro desta cidade.

Tiago, o Maior: Pescador, irmão de João o Evangelista. Permaneceu em Jerusalém, sendo executado em 43 D.C., por odem do rei Herodes Agripa.

Felipe: Aparece nos Evangelhos, sem muita informação sobre ele. Diz-se que evangelizou na Ituréia, reunindo-se a André, no mar Negro, sendo morto na Frígia.

Tomé: Chamado Dídimo ou Gêmeo. Ficou famoso pelo fato de ter duvidado que Jesus tinha ressuscitado, e disse que só vendo acreditaria. Então, Jesus apareceu para ele e respondeu que muitos não iriam ver e acreditariam. Depois da crucificação, passou a pregar na Pérsia e na Índia, seus restos mortais são venerados na Síria.

Judas Iscariotes: Judas de Kerioth, localidade da Judéia. Dizem que era designado para cuidar do dinheiro comum. Foi enganado pelos sacerdotes que o induziram a mostrar onde estava Jesus a troco de 30 moedas, prometendo que só o prenderiam durante as festividades da Páscoa. Depois da crucificação de Jesus, arrependido, jogou as 30 moedas aos pés dos sacerdotes, indo se enforcar. Estes pegaram o dinheiro e compraram um terreno para servir de cemitério aos estrangeiros, chamado de Campo do Sangue. Judas Iscariotes foi substituido por Matias

Judas Tadeu: Chamado Lebeu Tadeu, citado por Mateus e Marcos. Contam as tradições que trabalhou na Mesopotâmia e na Pérsia.

Bartolomeu: Chamado de Natanael no Evangelho de João, evangelizou na Armênia, junto ao Mar Negro, onde, segundo uma lenda foi esfolado vivo, vindo a morrer.

Simão, o zelote: Chamado assim por pertencer a uma seita chamada de "Os Zelotes, ou zeladores", que lutava para a libertação de Israel dos Romanos. Seita ultra-nacionalista e não religiosa. Simão permaneceu na Palestina pregando o Evangelho.

OS EVANGELISTAS
Mateus: Apóstolo de Cristo, é considerado o autor do primeiro dos quatro evangelhos, escrito por volta de 80 d.C., 50 anos depois da morte de Jesus, onde dá mais ênfase ao aspecto humano e genealógico de Jesus. Antes de sua conversão ao cristianismo, Mateus exercia a função de coletor de impostos. Pregou no norte da África, prosseguindo até a Etiópia, onde foi morto.
João: O mais jovem dos apóstolos escreveu o quarto evangelho. Era considerado o discípulo amado de Jesus e foi o único dos 12 apóstolos que não o abandonou na hora de sua morte. No Novo Testamento, é autor também de três epístolas e do Apocalipse. Filho de Zebedeu e irmão de Tiago, o Maior. O seu evangelho difere dos outros três que são chamados sinóticos (semelhantes), a narrativa de João enfoca mais o aspecto espiritual de Jesus. João viveu o resto de sua vida em Éfeso, junto de Maria. Durante o governo de Domiciano, foi exilado na ilha de Patmos, onde escreveu o Apocalipse. Morreu em Éfeso, em idade avançada, tomando conta da igreja que estava nesta cidade.

Marcos: Também chamado de João Marcos, foi autor do segundo evangelho, escrito em Roma pouco antes do ano 60 da Era Cristã. Ele não chegou a conhecer pessoalmente Cristo e, segundo estudiosos, escreveu o evangelho a partir de informações de Pedro.

Lucas: Autor do terceiro evangelho e dos Atos dos Apóstolos, não conviveu com Jesus. Nasceu pagão e pouco se sabe sobre sua vida pessoal e conversão ao cristianismo. Muito ligado a Paulo, é identificado por este como médico.

O VIAJANTE
Paulo de Tarso: Um dos mais influentes personagens dos primeiros anos do cristianismo, não chegou a conhecer Jesus. "Apóstolo dos Gentios". Sua atitude modificou a orientação dos primeiros apostolos. Foi perseguidor dos cristãos. Convertido aos 28 anos devido a uma visão de Jesus na estrada de Damasco. Viajou por quase todo o Império Romano disseminando a palavra de Cristo e morreu decapitado por volta de 67 d.C., em Roma. A doutrina de Paulo de Tarso está contida em 14 epistolas canônicas. Sua posição cristocêntrica, leva-o à visão redentora do Cristo-Deus glorioso. Um Cristo místico, cuja unidade enlaça o próprio cosmo.

AS MULHERES
sabe-se muito pouco sobre o que elas fizeram, mas os estudiosos concordam que Maria Madalena, Maria de Cleófas, Marta e Joana, entre outras, tiveram um papel importante na origem do cristianismo. Nesse time, cabe destacar o papel de Maria Madalena, que é citada nos evangelhos nas passagens da crucificação e da ressurreição de Jesus.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sermão da Montanha

O sermão da montanha é um padrão da vida, um conselho de perfeição, uma nobre maneira de pensar, a lei do amor. Gandi falou que se toda a literatura se perdesse e restasse apenas o Sermão da Montanha, nada se teria perdido.

“Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte...”, Jesus, assim como Moisés sobe a uma montanha para iniciar seus ensinamentos. "Subiu Moisés até Deus, e do monte o Senhor o chamou...” Deus já havia aparecido a Moisés na montanha, que seria o monte Sinai, também chamado Horeb. Deus está sempre revelando panoramas de Seu plano para o homem.

Todas as ações realizadas por Jesus carregam um significado. Ainda não estamos prontos para receber os significados do Sermão da Montanha, ainda não estão capacitadas para recebê-los com o coração. O Sermão da Montanha ocupa, no Novo Testamento, um lugar correspondente ao que, no Antigo, encontram-se os Dez Mandamentos. Os Dez Mandamentos são as Leis externas. O Sermão da Montanha a Lei interna, que o homem deve gravar no coração e imprimir na mente. No geral, ainda não começamos a viver estes preceitos espirituais, porque ainda não aprendemos que a maior força é o Amor.

“Ama ao próximo como a ti mesmo”, “Procura o Reino de Deus primeiro”, “Sê perfeito assim como o teu Pai que está nos céus é Perfeito”, “Bem-aventurados os puros de coração porque eles verão DEUS”. Todos estes conselhos requerem o cultivo da força do amor. “Não há maior amor no homem do que o daquele que dá a vida por seus amigos”.

“Fazei o bem àqueles que vos odeiam, abençoai aqueles que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriarem”. Este ideal é quase impossível de se cumprir, requer total renúncia, um completo autocontrole. “Àquele que te ferir em tua face direita, volta-lhe também a outra”. Não reaja ao mal, não pense na injustiça, mas no curso da ação que ajudará a quem lhe fez mal. “E àquele que te tirar tua túnica, deixa-lhe também tua capa”. Benevolência. “Dá a quem te pede". Não necessariamente material; compreensão, encorajamento, amor. Ajuda ao próximo e serás ajudado.

“Àquele a quem deres teus bens, não os peça de volta”. Não há disputa quando a pessoa é branda.

“Tudo quanto quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles”. Este ensinamento estabelece as normas para vivermos uma vida realmente cristã.

“Dai e vos será dado”. Se irradiamos verdade, beleza, amor, harmonia, somente essas qualidades nos serão dadas de volta, é o poder da vibração.

O Sermão da Montanha é encontrado em sua totalidade no Evangelho de Mateus, do capítulo cinco ao sete. Deveriam ser estudo diário, servir como meditação independentemente de credo. Sobre a segunda vinda de Cristo, Ele somente retornará quando aprendermos a colocar em prática as verdades do Sermão da Montanha, aí sim estaremos prontos para ”encontrá-LO no ar”.

O “despertar” da filha de Jairo, a cura de um menino endemoniado, o acalmar de uma tempestade, a multiplicação dos pães e peixes estão entre as importantes obras de Jesus. Cada um desses eventos contém profundos significados esotéricos, iniciação e despertar de uma consciência espiritual.

"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus". Percebemos que existe algo mais, algo que não se conhece. Como não conhece percebe-se os "pobre em espírito". Chegaremos fatalmente ao Reino. Por bem ou por mal, iniciamos, e a realização é inevitável, é questão de tempo. Esta consolação que é a primeira bem-aventurança, nos conforta, pois estamos neste caminho. "olhe e verá".

"Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados". As coisas do mundo não dão mais a mesma satisfação, então chora e sofre! Nos sentimos as vezes abandonados. Muitos de nós estamos neste estágio. Sentimos que existe um mundo maior, mas não conseguimos penetrar. Por isto sofremos. Mas, exatamente devido a este sofrimento, somos impelidos a buscar o entendimento. "Busca e acharás".

"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra". Não adianta bater de frente com as coisas do mundo, elas têm uma Lei. A natureza tem um ritmo, contra o qual não é possível lutar. Entendendo isso torna-se manso. Deixa fluir, coloca-se no "caminho perfeito". Ele usa suas forças para receber o que deseja, porque entende como a Lei se cumpre. Este homem é manso, não covarde. Saber viver.

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão fartos". O homem que herdou a terra, que vive em paz com as coisas materiais, procura encontrar no mundo a presença de Deus. Busca Justiça em tudo o que vê. Vai entender a Lei do Carma. Ele vai entender que o momento que vive foi criado por ele mesmo no passado. Com este entendimento encontra a Justiça.

"Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia". Existe algo além da Justiça. Que há uma força maior do que a Lei. Algo que o une aos outros homens. Este algo é a Misericórdia. Mas nós só vamos perceber a Misericórdia depois de conhecer a Justiça. Só sendo misericordioso entenderá a misericórdia de Deus, ainda não temos noção do que essa palavra representa.

"Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus". Aqui o homem saiu de si, já não é mais sozinho, encontrou Misericórdia. Todo o egoísmo saiu do seu coração, o homem torna-se um "puro de coração". Neste momento a vontade do Homem é a vontade de Deus. "Ver a face de Deus". "Eu e o Pai somos Um, minha vontade é a vontade do Pai, mas eu não sou o Pai".

"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus". Vamos supor que estamos diante da face de Deus. O evangelho ainda reserva mais um passo. Este Homem que amou o mundo, não poderia partir liberto sozinho. Tem que levar consigo os seus amados. Não pode terminar sua peregrinação sem que todos seus amados sejam também libertos. Tem que trazer a Paz aos que ficaram para trás. "Bem-aventurados os pacificadores". "Paixão de Cristo". O Homem veio trazer a Paz a nós todos que ficamos: "Eu vos dou a minha Paz", "Eu vos deixo a minha Paz". Não é possível deixar de voltar para trazer a Paz àquele que verdadeiramente amou. É imprecionante como pode estar contido tanto em tão poucas palavras.

"Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus". Este é o passo do sofrimento de Jesus na cruz. Perseguido por causa da Justiça, sendo crucificado. É necessário que se seja crucificado e ainda seja capaz de perdoar: "Pai perdoai os porque não sabem o que fazem". Para ser filho de Deus é necessário ser pacificador, mas para entrar no Reino é necessário este passo. É crucificado porque não é mais deste mundo. Habita em cada um de nós o Deus vivo mesmo que não tenhamos consciência disso. É justo que todos sejamos libertos, pela dor ou pelo amor.

"Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós", "Regozijai-vos e exultai, porque é grande o seu galardão nos céus; pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós". Aqui uma benção é dirigida àqueles que, entendendo a mensagem, compreendem que o Cristo está dentro de nós. Aqueles que sentem a presença do Cristo interno. Os profetas, quando acertam o caminho, os loucos quando se perdem.

Encontrei essa interpretação espirita, meio esotérica das Bem-aventuranças. Consegui entender o teor das mensagens com clareza, esses são os passos que devemos seguir para chegar ao Reino dos Céus.